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sábado, 9 de abril de 2016

TECIDO MUSCULAR E SISTEMA MUSCULAR


  O sistema muscular é formado por todos os músculos do corpo. Os músculos esqueléticos voluntários constituem a grande maioria dos músculos. Todos os músculos esqueléticos são formados por um tipo específico de tecido muscular. No entanto, outros tipos de tecido muscular formam alguns músculos (p. ex., os músculos ciliar e detrusor, além dos músculos eretores dos pelos) e importantes componentes dos órgãos de outros sistemas, aí incluídos os sistemas circulatório, digestório, genital, urinário, tegumentar e visual.

Tipos de músculo (tecido muscular)

As células musculares, que frequentemente são denominadas fibras musculares porque são longas e estreitas quando relaxadas, são células contráteis especializadas. São organizadas em tecidos que movimentam as partes do corpo ou causam a modificação temporária do formato dos órgãos internos (reduzem a circunferência de todo o órgão ou de parte dele). O tecido conjuntivo associado conduz fibras nervosas e capilares para as células musculares e une-as em feixes ou fascículos. Três tipos de músculo são descritos tomando como base diferenças relacionadas a(o):

• Controle normalmente pela vontade (voluntário versus involuntário)

• Aparência estriada ou não estriada ao exame microscópio (estriado versus liso ou não estriado)

• Localização na parede do corpo (soma) e nos membros ou formação de órgãos ocos (vísceras, p. ex., o coração) das cavidades do corpo ou de vasos sanguíneos (somático versus visceral).

Existem três tipos de músculo;

1. O músculo estriado esquelético é o músculo somático voluntário que forma os músculos esqueléticos que compõem o sistema muscular, movendo ou estabilizando ossos e outras estruturas (p. ex., os bulbos dos olhos)

2. O músculo estriado cardíaco é um músculo visceral involuntário que forma a maior parte das paredes do coração e partes adjacentes dos grandes vasos, como a aorta, e bombeia o sangue

3. O músculo liso (músculo não estriado) é o músculo visceral involuntário que forma parte das paredes da maioria dos vasos sanguíneos e órgãos ocos (vísceras), deslocando substâncias através deles por meio de contrações sequenciais coordenadas (pulsações ou contrações peristálticas).

Músculos esqueléticos
 FORMA, CARACTERÍSTICAS E DENOMINAÇÃO DOS MÚSCULOS

Todos os músculos esqueléticos, em geral chamados apenas de “músculos”, têm porções carnosas, avermelhadas e contráteis (uma ou mais cabeças ou ventres) formadas por músculo esquelético estriado. Alguns músculos são carnosos em toda a sua extensão, mas a maioria também tem porções brancas não contráteis (tendões), compostas principalmente de feixes colágenos organizados, que garantem um meio de inserção (Figura I.18). 

Tipos de músculo (tecido muscular). 

















Figura I.18 Arquitetura e formato dos músculos esqueléticos. A arquitetura e o formato de um músculo esquelético dependem da disposição de suas fibras.

Ao se referir ao comprimento de um músculo, são incluídos o ventre e os tendões. Em outras palavras, o comprimento de um músculo é a distância entre suas inserções. A maioria dos músculos esqueléticos está fixada direta ou indiretamente aos ossos, cartilagens, ligamentos ou fáscias ou a alguma associação dessas estruturas. Alguns músculos estão fixados a órgãos (p. ex., o bulbo do olho), pele (como músculos da face) e mucosas (músculos intrínsecos da língua). Os músculos são órgãos de locomoção (movimento), mas também proporcionam sustentação estática, dão forma ao corpo e fornecem calor. A Figura I.19 mostra os músculos esqueléticos mais superficiais. Os músculos profundos são apresentados durante o estudo de cada região.

A arquitetura e o formato dos músculos variam (Figura I.18). Os tendões de alguns músculos formam lâminas planas, ou aponeuroses, que fixam o músculo ao esqueleto (geralmente uma crista ou uma série de processos espinhosos) e/ou à fáscia muscular (como o músculo latíssimo do dorso) ou à aponeurose de outro músculo (como os músculos oblíquos da parede anterolateral do abdome). A maioria dos músculos é denominada de acordo com sua função ou com os ossos aos quais estão fixados. O músculo abdutor do dedo mínimo, por exemplo, abduz o dedo mínimo. O músculo esternocleidomastóideo se insere inferiormente no esterno e na clavícula e superiormente no processo mastoide do osso temporal do crânio. Outros músculos são designados de acordo com sua posição (medial, lateral, anterior, posterior) ou comprimento (curto; longo).  

Os músculos podem ser descritos ou classificados de acordo com seu formato, que também pode dar nome ao músculo:
Os músculos planos têm fibras paralelas, frequentemente com uma aponeurose — por exemplo, M. oblíquo externo do abdome (músculo plano largo). O M. sartório é um músculo plano estreito com fibras paralelas

Os músculos peniformes são semelhantes a penas na organização de seus fascículos, e podem ser semipeniformes, peniformes ou multipeniformes — por exemplo, M. extensor longo dos dedos (semipeniforme), M. reto femoral (peniforme) e M. deltoide (multipeniforme)

Os músculos fusiformes têm formato de fuso com um ou mais ventres redondos e espessos, de extremidades afiladas — por exemplo, M. bíceps braquial

Os músculos triangulares (convergentes) originam-se em uma área larga e convergem para formar um único tendão —

por exemplo, M. peitoral maior

Os músculos quadrados têm quatro lados iguais — por exemplo, M. reto do abdome entre suas interseções tendíneas

Os músculos circulares ou esfincterianos circundam uma abertura ou orifício do corpo, fechando-os quando se contraem — por exemplo, M. orbicular dos olhos (fecha as pálpebras)

• Os músculos que têm múltiplas cabeças ou múltiplos ventres têm mais de uma cabeça de inserção ou mais de um ventre contrátil, respectivamente. Os músculos bíceps têm duas cabeças de inserção (p. ex., M. bíceps braquial), os músculos tríceps têm três cabeças de inserção (p. ex., M. tríceps braquial) e os Mm. digástrico e gastrocnêmio têm dois ventres (no primeiro, a organização é em série; no segundo, em paralelo).


Figura I.19 Músculos esqueléticos superficiais. A maioria desses músculos movimenta o esqueleto para locomoção, mas alguns músculos — sobretudo na cabeça — movimentam outras partes (p. ex., bulbos dos olhos, couro cabeludo, pálpebras, pele da face e língua). A bainha do músculo reto do abdome esquerdo, formada por aponeuroses dos músculos abdominais planos, foi retirada para mostrar o músculo. Os retináculos são espessamentos fasciais profundos que fixam os tendões aos ossos subjacentes quando cruzam as articulações.

CONTRAÇÃO DOS MÚSCULOS
Os músculos esqueléticos atuam por meio da contração; eles puxam e nunca empurram. No entanto, alguns fenômenos — como o “estalido nas orelhas” para igualar a pressão e a bomba musculovenosa tiram vantagem da expansão dos ventres musculares durante a contração. Quando um músculo contrai e encurta, uma de suas inserções geralmente permanece fixa, enquanto a outra inserção (mais móvel) é puxada em direção a ele, muitas vezes resultando em movimento. As fixações dos músculos costumam ser descritas como origem e inserção*; a origem geralmente é a extremidade proximal do músculo, que permanece fixa durante a contração muscular, e a inserção geralmente é a extremidade distal do músculo, que é móvel. No entanto, isso nem sempre ocorre. Alguns músculos conseguem agir nas duas direções em circunstâncias diferentes. Por exemplo, no exercício de flexão de braços no solo, a extremidade distal do membro superior (a mão) está fixa (no solo) e a extremidade proximal do membro e o tronco (do corpo) estão se movimentando. Portanto, este livro geralmente usa os termos proximal e distal ou medial e lateral ao descrever a maioria das fixações musculares. Observe que se forem conhecidas as fixações de um músculo, geralmente é possível deduzir (em vez de memorizar) sua ação.

Contração reflexa.
Embora os músculos esqueléticos também sejam denominados músculos voluntários, alguns aspectos da sua atividade são automáticos (reflexos) e, portanto, não são controlados pela vontade. Os exemplos são os movimentos respiratórios do diafragma, controlados na maioria das vezes por reflexos estimulados pelos níveis sanguíneos de oxigênio e dióxido de carbono (embora possa haver controle voluntário dentro de limites), e o reflexo miotático, que resulta em movimento após alongamento muscular produzido pela percussão de um tendão com um martelo de reflexo.

Contração tônica. Mesmo quando estão “relaxados” os músculos de um indivíduo consciente estão quase sempre levemente contraídos. Essa leve contração, denominada tônus muscular, não produz movimento nem resistência ativa (como o faz a contração fásica), mas confere ao músculo certa firmeza, ajudando na estabilidade das articulações e na manutenção da postura, enquanto mantém o músculo pronto para responder a estímulos apropriados. Geralmente o tônus muscular só está ausente quando a pessoa está inconsciente (como durante o sono profundo ou sob anestesia geral) ou após uma lesão nervosa que acarrete paralisia.

Contração fásica. Existem dois tipos principais de contrações musculares fásicas (ativas): (1) contrações isotônicas, nas quais o músculo muda de comprimento em relação à produção de movimento, e (2) contrações isométricas, nas quais o comprimento do músculo permanece igual — não há movimento, mas a força (tensão muscular) aumenta acima dos níveis tônicos para resistir à gravidade ou a outra força antagônica (Figura I.20). O segundo tipo de contração é importante para manter a postura vertical e quando os músculos atuam como fixadores ou sustentadores, conforme descrição adiante.

Existem dois tipos de contrações isotônicas. O tipo no qual pensamos com maior frequência é a contração concêntrica, na qual o movimento decorre do encurtamento muscular—por exemplo, ao levantar uma xícara, empurrar uma porta ou dar um soco. Normalmente, é a capacidade de aplicar força excepcional por meio da contração concêntrica que distingue um atleta de um amador. O outro tipo de contração isotônica é a contração excêntrica, na qual um músculo se alonga ao contrair — isto é, sofre relaxamento controlado e gradual enquanto exerce força (reduzida) contínua, como ao desenrolar uma corda. Embora não sejam tão conhecidas, as contrações excêntricas são tão importantes quanto as contrações concêntricas para os movimentos coordenados e funcionais como caminhar, correr e depositar objetos no chão ou sentar-se.



Figura I.20 Contrações isométricas e isotônicas. A contração isométrica mantém a posição de uma articulação sem produzir movimento. As contrações concêntricas e excêntricas são contrações isotônicas nas quais o comprimento do músculo se modifica: contrações concêntricas por encurtamento e contrações excêntricas por alongamento controlado ativamente (relaxamento).

Muitas vezes, quando o principal músculo associado a determinado movimento (o agonista) está sofrendo uma contração concêntrica, seu antagonista está sofrendo uma contração excêntrica coordenada. Ao caminhar, há contração concêntrica para levar o centro de gravidade para a frente e depois, quando este passa na frente do membro, há contração excêntrica para evitar que a pessoa cambaleie durante a transferência de peso para a outra perna. As contrações excêntricas exigem menos energia metabólica com a mesma carga mas, com uma contração máxima, são capazes de gerar níveis de tensão muito maiores do que as contrações concêntricas — até 50% maiores (Marieb, 2004).

Enquanto a unidade estrutural de um músculo é a fibra de músculo estriado esquelético, a unidade funcional de um músculo é a unidade motora, formada por um neurônio motor e pela fibra muscular que ele controla (Figura I.21). Quando um neurônio motor na medula espinal é estimulado, inicia um impulso que causa a contração simultânea de todas as fibras musculares supridas por aquela unidade motora. O número de fibras musculares em uma unidade motora varia de uma a várias centenas. O número de fibras varia de acordo com o tamanho e a função do músculo. As grandes unidades motoras, nas quais um neurônio supre várias centenas de fibras musculares, estão nos grandes músculos do tronco e da coxa. Nos pequenos músculos dos olhos e das mãos, onde são necessários movimentos de precisão, as unidades motoras incluem apenas algumas fibras musculares. O movimento (contração fásica) resulta da ativação de um número crescente de unidades motoras, acima do nível necessário para manter o tônus.



FUNÇÕES DOS MÚSCULOS

Os músculos têm funções específicas de movimento e posicionamento do corpo.

O músculo agonista é o principal músculo responsável pela produção de um movimento específico do corpo. Ele se contrai concentricamente para produzir o movimento desejado, fazendo a maior parte do trabalho (gastando a maior parte da energia) necessário. Na maioria dos movimentos, há apenas um músculo agonista, mas alguns movimentos empregam dois agonistas em igual medida

 Figura I.21 Unidade motora. A unidade motora é formada por um único neurônio motor e pelas fibras musculares inervadas por ele.

• O músculo fixador estabiliza as partes proximais de um membro mediante contração isométrica, enquanto há movimento nas partes distais

• Um músculo sinergista complementa a ação de um agonista. Pode ser um auxiliar direto de um músculo agonista, atuando como componente mais fraco ou mecanicamente menos favorável do mesmo movimento, ou pode ser um auxiliar indireto, servindo como fixador de uma articulação interposta quando um agonista passa sobre mais de uma articulação, por exemplo. Não é incomum que haja vários sinergistas auxiliando um agonista em determinado movimento

• Um antagonista é um músculo que se opõe à ação de outro. Um antagonista primário se opõe diretamente ao agonista, mas os sinergistas também podem ser opostos por antagonistas secundários. Quando há contração concêntrica dos agonistas ativos para produzir um movimento, há contração excêntrica dos antagonistas, que relaxam progressivamente, de forma coordenada, para produzir um movimento suave.

O mesmo músculo pode agir como agonista, antagonista, sinergista ou fixador em situações diferentes. Observe também que o verdadeiro agonista em determinada posição pode ser a gravidade. Nesses casos, existe uma situação paradoxal na qual o agonista, geralmente descrito como responsável pelo movimento, é inativo (passivo), enquanto o relaxamento controlado (contração excêntrica) do(s) antagonista(s) antigravitacional(is) é o componente ativo (que requer energia) do movimento. Um exemplo é o abaixamento (adução) dos membros superiores da posição abduzida (estendida lateralmente a 90° com o tronco) na posição de pé (Figura I.20C). O agonista (adutor) é a gravidade; os músculos descritos como agonistas para esse movimento (peitoral maior e latíssimo do dorso) são inativos ou passivos; e o músculo ativamente inervado (cuja contração é excêntrica) é o deltoide (um abdutor, habitualmente descrito como antagonista nesse movimento).

Um músculo cuja tração seja exercida ao longo de uma linha paralela ao eixo dos ossos em que está fixado está em desvantagem para produzir movimento. Em vez disso, mantém contato entre as superfícies articulares da articulação que cruza (i. e., resiste às forças de deslocamento); esse tipo de músculo é um fixador. Por exemplo, quando os braços estão ao lado do corpo, o deltoide atua como músculo fixador. Quanto mais oblíqua está orientada a linha de tração de um músculo em relação ao osso que movimenta (i. e., quanto menos paralela é a linha de tração em relação ao eixo longitudinal do osso, p. ex., o M. bíceps braquial durante a flexão do cotovelo), maior é a sua capacidade de movimento rápido e efetivo; esse tipo de músculo é um músculo de impulsão. O M. deltoide torna-se cada vez mais efetivo como músculo de impulsão depois que outros músculos iniciam a abdução do braço.

NERVOS E ARTÉRIAS PARA OS MÚSCULOS

A variação na inervação dos músculos é rara; há uma relação quase constante. No membro, os músculos com ações semelhantes geralmente estão contidos em um compartimento fascial comum e são supridos pelos mesmos nervos (Figura I.9); portanto, você deve aprender a inervação dos músculos dos membros em termos dos grupos funcionais, memorizando somente as exceções. Os nervos que suprem os músculos esqueléticos (nervos motores) geralmente entram na porção carnosa do músculo (ao contrário do tendão), quase sempre a partir da face profunda (assim, é protegido pelo músculo que supre). As poucas exceções serão apontadas adiante no texto. Quando um nervo perfura um músculo, atravessando sua porção carnosa ou entre duas cabeças de fixação, geralmente supre aquele músculo. As exceções são os ramos sensitivos que inervam a pele do dorso depois de penetrarem os músculos superficiais do dorso.

A irrigação sanguínea dos músculos não é tão constante quanto a inervação, e geralmente é múltipla. As artérias geralmente irrigam as estruturas com as quais entram em contato. Assim, você deve aprender o trajeto das artérias e deduzir que um músculo é irrigado por todas as artérias adjacentes.

MÚSCULOS ESQUELÉTICOS : Disfunção e paralisia musculares

Do ponto de vista clínico, é importante não pensar apenas em termos da ação habitual de determinado músculo, mas também considerar que perda de função ocorreria se o músculo parasse de funcionar (paralisia). Quais seriam as consequências (isto é, os sinais visíveis) da disfunção de um determinado músculo ou grupo muscular?

Ausência de tônus muscular

Embora seja uma força suave, o tônus muscular tem efeitos importantes: o tônus dos músculos labiais ajuda a manter os dentes alinhados, por exemplo. Quando essa pressão suave, porém constante, não existe (devido a paralisia ou a um lábio curto que deixe os dentes expostos), os dentes migram e são evertidos (“dentes de coelho”). A ausência de tônus muscular em um paciente inconsciente (p. ex., sob anestesia geral) pode permitir a luxação das articulações quando ele é levantado ou quando sua posição é modificada. Quando um músculo é desnervado (perde sua inervação) fica paralisado (flácido, com perda do tônus e capacidade de se contrair fisicamente à demanda ou de forma reflexa). Na ausência de tônus muscular normal, o tônus do(s) músculo(s) oponente(s) [antagonista(s)] pode fazer com que um membro assuma uma posição de repouso anormal. A lém disso, o músculo desnervado sofre fibrose e perde a elasticidade, contribuindo, também, para a anormalidade da posição em repouso.

Dor muscular e “distensão” muscular

A s contrações excêntricas excessivas ou associadas a uma nova atividade são as causas frequentes de dor muscular de início tardio. A ssim, descer muitos lances de escada acabaria provocando mais dor, devido às contrações excêntricas, do que subir os mesmos lances de escada. O estiramento muscular que ocorre durante a contração excêntrica do tipo alongamento parece ser mais propenso a causar microlacerações nos músculos e/ou irritação periosteal do que a contração concêntrica (encurtamento do ventre muscular). A capacidade de alongamento dos músculos esqueléticos é limitada. Em geral, os músculos não conseguem alongar além de um terço de seu comprimento em repouso sem sofrer lesão. Isso é refletido por suas fixações ao esqueleto, que geralmente não permitem alongamento excessivo. Os músculos isquiotibiais são exceção. Quando o joelho é estendido, os músculos isquiotibiais costumam alcançar seu comprimento máximo antes da flexão completa do quadril (isto é, a flexão no quadril é limitada pela capacidade de alongamento dos músculos isquiotibiais). Sem dúvida, isso, além das forças relacionadas com sua contração excêntrica, explica por que os músculos isquiotibiais são “distendidos” (sofrem lacerações) com maior frequência do que outros músculos (Figura BI.7).

Crescimento e regeneração do músculo esquelético

A s fibras do músculo estriado esquelético não se dividem, mas são substituídas individualmente por novas fibras musculares derivadas de células-satélite de músculo esquelético (ver figura do músculo esquelético, Quadro A s células-satélite são uma fonte potencial de mioblastos, precursores das células musculares, que se fundem para formar novas fibras de músculo esquelético, quando necessário (Ross et al., 2011). O número de novas fibras que podem ser produzidas é insuficiente para compensar uma grande degeneração ou traumatismo muscular. O novo músculo esquelético não é efetivamente regenerado, mas sim formado por uma mistura desorganizada de fibras musculares e tecido cicatricial fibroso. Os músculos esqueléticos podem aumentar em resposta ao exercício vigoroso frequente, como a musculação. Esse crescimento resulta da hipertrofia das fibras existentes, não da adição de novas fibras musculares. A hipertrofia alonga e aumenta as miofibrilas nas fibras musculares (Figura I.21), incrementando, assim, o trabalho que o músculo consegue realizar.

                        Figura BI.7



Exame do músculo

•O exame do músculo ajuda o examinador a diagnosticar lesões nervosas. Existem dois métodos de exame ;
A pessoa faz movimentos de resistência aos movimentos do examinador, por exemplo, a pessoa mantém o antebraço fletido enquanto o examinador tenta estendê-lo. Essa técnica permite avaliar a força dos movimentos

• O examinador faz movimentos de resistência aos movimentos da pessoa. A o avaliar a flexão do antebraço, o examinador pede que a pessoa flexione o antebraço enquanto ele oferece resistência. Em geral, os músculos são testados em pares bilaterais para comparação.

A eletromiografia (EMG), a estimulação elétrica dos músculos, é outro método para avaliação da ação muscular. O examinador coloca eletrodos de superfície em um músculo, pede à pessoa para realizar alguns movimentos, e depois amplifica e registra as diferenças nos potenciais de ação elétricos dos músculos. Um músculo normal em repouso exibe apenas atividade basal (tônus muscular), que só desaparece durante o sono profundo, a paralisia e sob anestesia. Os músculos que se contraem mostram picos variáveis de atividade fásica. A EMG torna possível analisar a atividade de um músculo individual durante diferentes movimentos. A EMG também pode ser parte do programa de tratamento para restaurar a ação dos músculos.

Pontos-chave



MÚSCULOS ESQUELÉT ICOS

Os músculos são classificados em estriados esqueléticos, estriados cardíacos ou lisos. ♦ Os músculos esqueléticos são ainda classificados, de acordo com seu formato, em planos, peniformes, fusiformes, quadrados, circulares ou esfincterianos, e com múltiplas cabeças ou múltiplos ventres. ♦ O músculo esquelético atua contraindo, permitindo movimentos automáticos (reflexos), mantendo o tônus muscular (contração tônica) e proporcionando a contração fásica (ativa) com ou sem modificação do comprimento muscular (isotônica e isométrica, respectivamente). ♦ Os movimentos isotônicos são concêntricos (ocasionam movimento por encurtamento) ou excêntricos (permitem movimento por relaxamento controlado). ♦ Os músculos agonistas são os principais responsáveis por movimentos específicos. ♦ Os fixadores “estabilizam” uma parte de um membro enquanto outra parte se movimenta. ♦ Os sinergistas potencializam a ação dos agonistas. ♦ Os antagonistas se opõem às ações de outro músculo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
  MOORE, K.L. - ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, 6ªED, 
GUANABARA KOOGAN, 2011. 


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