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sexta-feira, 8 de abril de 2016

FÁSCIAS, COMPARTIMENTOS FASCIAIS, BOLSAS E ESPAÇOS POTENCIAIS


As  fáscias  envolvem,  acondicionam  e  isolam  as  estruturas  profundas  do  corpo.  Em  quase  todos  os  locais, sob  a  tela subcutânea está a fáscia dos músculos (Figura I.9). A fáscia profunda é um tecido conjuntivo denso, organizado, desprovido de gordura, que cobre a maior parte do corpo paralelamente  (profundamente)  à pele e à tela subcutânea.  Extensões de sua face   interna   revestem   estruturas   profundas,   como   músculos  individuais   e  feixes   neurovasculares,   como   fáscia   de revestimento. A espessura da fáscia muscular varia muito. Por exemplo, na face não camadas distintas de fáscia profundaNos membros, grupos de músculos com funções semelhantes e que têm a mesma inervação estão localizados em compartimentos fasciais, separados por lâminas espessas de fáscia, denominadas septos intermusculares, que se estendem centralmente  a partir da bainha fascial adjacente e se fixam aos ossos. Esses compartimentos podem refrear ou direcionar a disseminação de uma infecção ou tumor.Em alguns locais, a fáscia serve como local de fixação (origem) dos músculos subjacentes (embora geralmente  não seja mencionada em listas ou quadros de origens e inserções); mas na maioria das áreas, os músculos são livres, contraindo-se e deslizando sob a fáscia. No entanto, a fáscia propriamente  dita nunca passa livremente sobre o osso; no lugar onde toca o osso, ela se funde firmemente ao periósteo (revestimento  ósseo). A fáscia relativamente  firme que reveste os músculos,  e sobretudo aquela que circunda os compartimentos fasciais nos membros, limita a expansão externa dos ventres dos músculos esqueléticos  que  se  contraem.  Assim,  o  sangue  é  expulso  quando  as  veias  dos  músculos  e  o compartimentos  são comprimidos. As válvulas existentes nas veias permitem o fluxo sanguíneo unidirecional (em direção ao coração) e impedem o refluxo  que  poderia  ocorrer  com  o relaxamento  muscular.  Assim,  a fáscia profunda,  os músculos  que  se contraem  e as lvulas venosas atuam em conjunto como uma bomba musculovenosa para reconduzir o sangue ao coração, sobretudo nos membros inferiores, onde o sangue precisa fluir contra a força da gravidade.



Figura I.8 Os retináculos da pele  e a tela  subcutânea.  A. A  espessura da tela subcutânea pode ser estimada em aproximadamente metade da espessura de uma prega cutânea pinçada (i. e., a prega cutânea tem o dobro da espessura da tela subcutânea). O dorso da mão tem relativamente pouca pele subcutânea. B. Os retináculos da pele longos e relativamente esparsos permitem a mobilidade da pele demonstrada em A. C. A pele da palma da mão (como a da planta dos pés) está firmemente fixada à fáscia profunda subjacente.


Figura I.9 Corte escavado da perna mostrando a fáscia profunda e as formões fasciais.

Perto de algumas articulações  (p. ex., punho e tornozelo),  a fáscia muscular sofre espessamento acentuado e forma um retináculo para manter no lugar os tendões na região em que cruzam a articulação durante a flexão e a extensão, impedindo que formem um “atalho”, ou um arco, através do ângulo criado (Figura I.19). A fáscia subserosa,  com quantidades variáveis de tecido adiposo,  situa-se entre as faces internas das paredes musculoesqueléticas   e  as  membranas   serosas   que  revestem   as  cavidades   do  corpo.   São  as  fáscias  endotorácica, endoabdominal   (fáscia  parietal  do  abdome)  e  endopélvica  (fáscia  parietal  da  pelve); as duas  últimas  podem  ser coletivamente denominadas fáscias extraperitoneais.
As bolsas são sacos ou envoltórios fechados de membrana serosa (uma delicada  membrana de tecido conjuntivo  que secreta  líquido  para  lubrificar  uma  face  interna  lisa).  As bolsas normalmente  encontram-se  colapsadas.  Ao  contrário  dos espaços tridimensionais ou reais, esses espaços potenciais não têm profundidade; suas paredes são apostas, tendo entre elas apenas uma  fina  película  de  líquido  lubrificante,  que  é secretado  pelas  membranas  em  seu  interior. Quando  a parede  é interrompida  em  qualquer  ponto,  ou  quando  um  líquido  é secretado  ou  formado  em  excesso  no  seu  interior,  tornam-se espaços reais; entretanto, essa situação é anormal ou patológica. 
Geralmente  encontradas  em locais sujeitos a atrito, as bolsas permitem o movimento mais livre de uma estrutura sobre outra. As bolsas subcutâneas são encontradas na tela subcutânea entre a pele e as proeminências ósseas, como o cotovelo ou o joelho; as bolsas subfasciais situam-se sob a fáscia profunda; e as bolsas subtendíneas facilitam o movimento dos tendões sobre o osso. As bainhas sinoviais dos tendões são um tipo especializado  de bolsas alongadas que envolvem os tendões, geralmente quando atravessam túneis osteofibrosos que fixam os tendões no lugar (Figura I.10A).

Às  vezes    comunicação  entre  as  bolsas  e as  cavidades  sinoviais  das  articulações. Como  são  formadas  apenas  por delicadas membranas serosas transparentes e encontram-se colapsadas,  as bolsas não são facilmente  notadas ou dissecadas em laboratório. Podem ser exibidas por meio da injeção de líquido colorido, que causa sua distensão.
Essas bolsas colapsadas circundam muitos órgãos (p. ex., coração, pulmões e vísceras abdominais)  e estruturas (p. ex., partes dos tendões) importantes.  Essa configuração pode ser comparada à mão fechada envolta por um balão grande, mas vazio  (Figura  I.10B).  O  objeto é  circundado  pelas  duas  camadas  do  balão  vazio,  mas  não  está  dentro  do  balão,  que permanece vazio. Para que a comparação seja ainda mais exata, primeiro deve-se encher o balão com água e depois esvaziá- lo, deixando molhado o interior do balão vazio. Exatamente dessa forma, o coração é circundado pelo saco pericárdico, mas não está dentro dele. Cada pulmão é circundado por um saco pleural, mas não está dentro dele; e as vísceras abdominais são circundadas  pelo peritônio,  mas não estão dentro dele.  Nesses casos,  a camada  interna  do balão ou saco seroso (aquela adjacente à mão, ao órgão ou à víscera) é denominada camada visceral; a camada externa do balão (ou aquela que fica em contato com a parede do corpo) é denominada camada parietal. Essa dupla camada de membranas de revestimento,  com suas superfícies  apostas  úmidas,  proporciona  liberdade  de movimento  à estrutura  circundada quando  está contida  em um espaço fechado, como o coração em seu saco fibroso (perirdio) ou os tendões dos músculos flexores nos túneis fibrosos que mantêm os tendões perto dos ossos dos dedos.


Figura I.10 Bainha sinovial do tendão e bolsas. A. As bainhas sinoviais do teno são bolsas longitudinais que circundam os tendões em sua passagem profundamente aos retináculos ou através das bainhas fibrosas dos dedos. B. As bolsas encerram várias estruturas, como o coração, os pulmões, as vísceras abdominais e os tendões, o que pode ser comparado ao modo como esse balão esvaziado envolve o punho. Uma fina película de líquido lubrificante entre as camadas parietal e visceral confere mobilidade à estrutura circundada pela bolsa em um compartimento fechado. As pregas transitórias de membrana sinovial entre as camadas parietal e visceral que circundam os pedículos de união (o punho neste exemplo) e/ou estruturas neurovasculares que servem à massa circundada são denominadas mesentérios. No caso da bainha sinovial do tendão, o mesentério é denominado mesotendão. 

                                   PLANOS FACIAIS E CIRURGIA



Nas pessoas vivas, os planos fasciais (interfasciais e intrafasciais) são espos potenciais existentes entre fáscias adjacentes ou estruturas revestidas por fáscia, ou no interior de fáscias areolares livres, como as fáscias subserosas. Os cirurges tiram vantagem desses planos interfasciais, separando estruturas para criar espos que permitam o

movimento e o acesso a estruturas profundas. Em alguns procedimentos, os cirurges usam planos fasciais extrapleurais ou extraperitoneais, que permitem o procedimento fora das membranas que revestem as cavidades do corpo, minimizando o risco de contaminação, a disseminação de infecções e a consequente formação de aderências nas cavidades. Infelizmente, muitas vezes esses planos estão fundidos e a distinção ou observação em cadáveres fixados é difícil.
 

Pontos-chave-FÁSCIAS E BOLSAS


A fáscia muscular é uma camada de tecido conjuntivo organizado que reveste completamente o corpo sob a tela subcutânea abaixo da pele. A s extensões e modificações da fáscia muscular: dividem os músculos em grupos (septos intermusculares), revestem  músculos  individualmente  e feixes neurovasculares  (fáscia de revestimento),   situam-se entre as paredes musculoesqueléticas e as membranas serosas que revestem as cavidades do corpo (fáscia subserosa) e mantêm os tendões no lugar durante os movimentos articulares (retináculos). A s bolsas são sacos fechados de membrana serosa, situados em locais sujeitos a atrito; elas permitem o livre movimento de uma estrutura sobre a outra.



 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
  MOORE, K.L. - ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, 6ªED, 
GUANABARA KOOGAN, 2011. 




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