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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Articulações - CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES


As articulações são uniões ou junções entre dois ou mais ossos ou partes rígidas do esqueleto. As articulações exibem várias formas e funções. Algumas articulações não têm movimento, como as lâminas epifisiais entre a epífise e a diáfise de um osso longo em crescimento; outras permitem apenas pequeno movimento, como os dentes em seus alvéolos; e outras têm mobilidade livre, como a articulação do ombro.

Três classes de articulações são descritas de acordo com a forma ou o tipo de material pelo qual os ossos são unidos.

1. Nas articulações sinoviais, os ossos são unidos por uma cápsula articular (formada por uma camada fibrosa externa revestida por uma membrana sinovial serosa) que transpõe e reveste a cavidade articular. A cavidade articular de uma articulação sinovial, como o joelho, é um espaço potencial que contém um pequeno volume de líquido sinovial lubrificante, secretado pela membrana sinovial. No interior da cápsula, a cartilagem articular cobre as faces articulares dos ossos; todas as outras faces internas são revestidas por membrana sinovial. Na Figura I.16A os ossos que normalmente se apresentam apostos foram afastados para demonstração, e a cápsula articular foi insuflada. Por conseguinte, a cavidade articular, que normalmente é potencial, está exagerada. O periósteo que reveste os ossos na parte externa à articulação funde-se com a camada fibrosa da cápsula articular

2. Nas articulações fibrosas, os ossos são unidos por tecido fibroso. Na maioria dos casos, o grau de movimento em uma articulação fibrosa depende do comprimento das fibras que unem os ossos. As suturas do crânio são exemplos de articulações fibrosas (Figura I.16B). Esses ossos estão bem próximos, encaixando-se ao longo de uma linha ondulada ou superpostos. A sindesmose, um tipo de articulação fibrosa, une os ossos com uma lâmina de tecido fibroso, que pode ser um ligamento ou uma membrana fibrosa. Consequentemente, esse tipo de articulação tem mobilidade parcial. A membrana interóssea no antebraço é uma lâmina de tecido fibroso que une o rádio e a ulna em uma sindesmose. A sindesmose dentoalveolar (gonfose) é uma articulação fibrosa na qual um processo semelhante a um pino encaixa-se em uma cavidade entre a raiz do dente e o processo alveolar da maxila. A mobilidade dessa articulação (um dente mole) indica distúrbio dos tecidos de sustentação do dente. No entanto, movimentos locais microscópicos nos informam (graças a propriocepção) sobre a força da mordida ou do cerrar de dentes, e sobre a existência de uma partícula presa entre os dentes 
                                                                                                                                                                  



    



Figura I.16 Três classes de articulações. A figura mostra exemplos de cada classe. A. Dois modelos mostram as características básicas de uma articulação sinovial.

3. Nas articulações cartilagíneas, as estruturas são unidas por cartilagem hialina ou fibrocartilagem. Nas sincondroses ou articulações cartilagíneas primárias, os ossos são unidos por cartilagem hialina, o que permite leve curvatura no início da vida. As articulações cartilagíneas primárias geralmente são uniões temporárias, como as existentes durante o desenvolvimento de um osso longo (Figuras I.14 e I.16C), nas quais a epífise e a diáfise são unidas por uma lâmina epifisial. As sincondroses permitem o crescimento do osso no comprimento. Quando é atingido crescimento completo, a lâmina epifisial converte-se em osso e as epífises fundem-se com a diáfise. As sínfises ou articulações cartilagíneas secundárias são articulações fortes, ligeiramente móveis, unidas por fibrocartilagem. Os discos intervertebrais fibrocartilagíneos (Figura I.16C) existentes entre as vértebras são formados por tecido conjuntivo que une as vértebras. Essas articulações proporcionam à coluna vertebral resistência e absorção de choque, além de considerável flexibilidade.

As articulações sinoviais, o tipo mais comum de articulação, permitem livre movimento entre os ossos que unem; são articulações de locomoção, típicas de quase todas as articulações dos membros. As articulações sinoviais geralmente são reforçadas por ligamentos acessórios separados (extrínsecos) ou são um espessamento de parte da cápsula articular (intrínsecos). Algumas articulações sinoviais têm características diferentes, como discos articulares fibrocartilagíneos ou meniscos, encontrados quando as faces articulares dos ossos são desiguais (Figura I.16A).

Os seis principais tipos de articulações sinoviais são classificados de acordo com o formato das faces articulares e/ou o tipo de movimento que permitem (Figura I.17):

1. As articulações planas permitem movimentos de deslizamento no plano das faces articulares. As superfícies opostas dos ossos são planas ou quase planas, com movimento limitado por suas cápsulas articulares firmes. As articulações planas são muitas e quase sempre pequenas. Um exemplo é a articulação acromioclavicular situada entre o acrômio da escápula e a clavícula

2. Os gínglimos permitem apenas flexão e extensão, movimentos que ocorrem em um plano (sagital) ao redor de um único eixo transversal; assim, os gínglimos são articulações uniaxiais. A cápsula dessas articulações é fina e frouxa nas partes anterior e posterior onde há movimento; entretanto, os ossos são unidos lateralmente por ligamentos colaterais fortes. A articulação do cotovelo é um exemplo de gínglimo

3. As articulações selares permitem abdução e adução, além de flexão e extensão, movimentos que ocorrem ao redor de dois eixos perpendiculares; sendo assim, são articulações biaxiais que permitem movimento em dois planos, sagital e frontal. Também é possível fazer esses movimentos em uma sequência circular (circundução). As faces articulares opostas têm o formato semelhante a uma sela (isto é, são reciprocamente côncavas e convexas). A articulação carpometacarpal na base do polegar (1o dedo) é uma articulação selar (Figura I.17)
Figura I.17 Os seis tipos de articulações sinoviais. As articulações sinoviais são classificadas de acordo com o formato das superfícies articulares e/ou o tipo de movimento que permitem.

4. As articulações elipsóideas permitem flexão e extensão, além de abdução e adução; sendo assim, também são biaxiais.

No entanto, o movimento em um plano (sagital) geralmente é maior (mais livre) do que no outro. Também é possível realizar circundução, mais restrita do que nas articulações selares. As articulações metacarpofalângicas são elipsóideas

5. As articulações esferóideas permitem movimento em vários eixos e planos: flexão e extensão, abdução e adução, rotação medial e lateral, e circundução; sendo assim, são articulações multiaxiais. Nessas articulações altamente móveis, a superfície esferóidea de um osso move-se na cavidade de outro. A articulação do quadril é uma articulação esferóidea na qual a cabeça do fêmur, que é esférica, gira na cavidade formada pelo acetábulo do quadril
6. As articulações trocóideas permitem rotação em torno de um eixo central; são, portanto, uniaxiais. Nessas articulações, um processo arredondado de osso gira dentro de uma bainha ou anel. Um exemplo é a articulação atlantoaxial mediana, na qual o atlas (vértebra C I) gira ao redor de um processo digitiforme, o dente do áxis (vértebra C II), durante a rotação da cabeça.

VASCULATURA E INERVAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES

As articulações são irrigadas por artérias articulares originadas nos vasos ao redor da articulação. Com frequência, há anastomose (comunicação) das artérias para formar redes (anastomoses arteriais periarticulares) e assegurar a irrigação sanguínea da articulação e através dela nas várias posições assumidas. As veias articulares são veias comunicantes que acompanham as artérias e, como as artérias, estão localizadas na cápsula articular, principalmente na membrana sinovial.

As articulações têm rica inervação propiciada por nervos articulares com terminações nervosas sensitivas na cápsula articular. Nas partes distais dos membros (mãos e pés), os nervos articulares são ramos dos nervos cutâneos que suprem a pele sobrejacente. No entanto, a maioria dos nervos articulares consiste em ramos de nervos que suprem os músculos que cruzam e, portanto, movem a articulação. A lei de Hilton afirma que os nervos que suprem uma articulação também suprem os músculos que movem a articulação e a pele que cobre suas inserções distais.

Os nervos articulares transmitem impulsos sensitivos da articulação que contribuem para a propriocepção, responsável pela percepção do movimento e da posição das partes do corpo. A membrana sinovial é relativamente insensível. Há muitas fibras de dor na camada fibrosa da cápsula articular e nos ligamentos acessórios, o que causa dor intensa em caso de lesão articular. As terminações nervosas sensitivas respondem à rotação e ao estiramento que ocorre durante a prática de atividades esportivas.

ARTICULAÇÕES

Articulações do crânio do recém-nascido


Não há contato completo entre os ossos da calvária de um recém-nascido (Figura BI.6). Nesses locais, as suturas formam largas áreas de tecido fibroso denominadas fontículos. O fontículo anterior é o mais proeminente, chamado de “moleira” pelos leigos. Muitas vezes os fontículos em um recém-nascido são palpados como cristas devido à superposição dos ossos cranianos pela moldagem da calvária em sua passagem pelo canal de parto. Normalmente, o fontículo anterior é plano. A saliência do fontículo pode indicar aumento da pressão intracraniana; entretanto, a saliência durante o choro é normal. A s pulsações do fontículo refletem o pulso das artérias cerebrais. Pode-se observar depressão do fontículo quando o bebê está desidratado (Swartz, 2001).

Doença articular degenerativa

As articulações sinoviais são bem projetadas para resistir ao desgaste, mas o uso excessivo ao longo de vários anos pode causar alterações degenerativas. Certo grau de destruição é inevitável durante atividades como a corrida, que desgasta as cartilagens articulares e às vezes causa erosão das faces articulares dos ossos subjacentes. O envelhecimento normal da cartilagem articular começa no início da vida adulta e avança devagar, acometendo as extremidades articulares dos ossos, sobretudo do quadril, joelho, coluna vertebral e mãos (Salter, 1998). Essas alterações degenerativas irreversíveis nas articulações diminuem a efetividade da cartilagem na absorção de choques e a lubrificação da superfície. Consequentemente, a articulação torna-se cada vez mais vulnerável ao atrito repetido que ocorre durante os movimentos. Essas alterações não causam sintomas significativos em algumas pessoas, mas causam dor intensa em outras.

Figura BI.6


A doença articular degenerativa ou osteoartrite costuma ser acompanhada por rigidez, desconforto e dor. A osteoartrite é comum em pessoas idosas e geralmente afeta articulões que sustentam o peso do corpo (p. ex., os quadris e os joelhos). A maioria das substâncias presentes na corrente sanguínea, sejam normais ou patológicas, entra com facilidade na cavidade articular. Da mesma forma, a infecção traumática de uma articulação pode ser seguida por artrite (inflamação articular) e septicemia.

Artroscopia

A cavidade de uma articulação sinovial pode ser examinada por meio da introdução de uma cânula e um artroscópio (um pequeno telescópio) em seu interior. Esse procedimento cirúrgico — artroscopia — permite que os cirurgiões ortopédicos examinem anormalidades articulares, como a ruptura de meniscos (discos articulares parciais do joelho).

Durante a artroscopia também podem ser realizadas algumas intervenções cirúrgicas (p. ex., mediante introdução de instrumentos através de incisões perfurantes). Como a abertura na cápsula articular necessária para a introdução do artroscópio é pequena, a cicatrização após esse procedimento é mais rápida do que após a cirurgia articular tradicional.

Pontos-chave

ARTICULAÇÕES Uma articulação é a união entre dois ou mais ossos ou partes rígidas do esqueleto. Existem três tipos gerais de articulações: fibrosa, cartilagínea e sinovial. A s articulações sinoviais livremente móveis: ♦ são o tipo mais comum; ♦ podem ser classificadas em plana, gínglimo, selar, elipsóidea, esferóidea e trocóidea; ♦ recebem irrigação sanguínea de artérias articulares que costumam formar redes; ♦ são drenadas por veias articulares originadas na membrana sinovial; ♦ são ricamente supridas por nervos articulares responsáveis pela propriocepção, a percepção do movimento e da posição de partes do corpo.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
  MOORE, K.L. - ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, 6ªED, 
GUANABARA KOOGAN, 2011. 





                                                   


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