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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Anatomia regional do Corpo

A anatomia regional (anatomia topográfica) contempla a organização do corpo humano em partes principais ou segmentos (Figura  I.1):  um  corpo  principal formado  por  cabeça,   pescoço  e  tronco  (subdividido   em  tórax,  abdome,   dorso  e pelve/períneo),  um  par  de  membros  superiores  e  um  par  de  membros  inferiores.  Todas  as  partes  principais  podem  ser subdivididas em áreas e regiões. A anatomia regional é o método de estudo da estrutura do corpo por concentração da atenção em uma parte (p. ex., a cabeça), área (a face) ou região (a região da órbita ou do olho) específica; exame da organização e das relações das várias estruturas sistêmicas (músculos, nervos, artérias etc.) em seu interior; e, depois, geralmente prossegue para o estudo de regiões adjacentes em sequência ordenada. Com exceção desta Introdução, este livro segue a abordagem regional e cada capítulo é voltado para a anatomia de uma parte principal do corpo. Essa é a abordagem geralmente seguida em cursos de  anatomia  que  tenham  um  componente  laboratorial  que  inclua  a  dissecção.  Ao  estudar  anatomia  por  esse  método,  é importante colocar rotineiramente a anatomia regional no contexto das regiões e partes adjacentes e do corpo como um todo.
A anatomia regional também reconhece a organização do corpo em camadas: pele, tela subcutânea e fáscia profunda que cobre as estruturas mais profundas: os músculos, o esqueleto e as cavidades, que contêm vísceras (órgãos internos). Muitas dessas  estruturas  profundas  são  parcialmente  notadas  sob  o  revestimento  externo  do  corpo  e  podem  ser  estudadas  e examinadas em indivíduos vivos por meio da anatomia de superfície.
A anatomia de superfície é uma parte essencial do estudo da anatomia regional. É especificamente  abordada neste livro em “seções sobre anatomia de superfície” (fundo laranja) que fornecem informações sobre quais estruturas estão situadas sob a pele e quais são perceptíveis  ao toque (palpáveis)  no corpo vivo em repouso e em atividade.  Podemos  aprender muito observando a forma externa e a superfície do corpo e observando ou palpando os relevos superficiais de estruturas situadas abaixo  de  sua  superfície.  O  objetivo  desse  método  é  visualizar  (compor  imagens  mentais  de)  estruturas  que  conferem contorno à superfície ou são palpáveis abaixo dela e, na prática clínica, distinguir achados incomuns ou anormais. Em resumo, a anatomia de superfície requer conhecimento completo da anatomia das estruturas situadas abaixo da superfície. Em pessoas com feridas perfurocortantes,  por exemplo, o médico tem de ser capaz de visualizar as estruturas profundas que possam ter sido lesadas. O conhecimento da anatomia de superfície também reduz a necessidade de memorização,  porque o corpo está sempre disponível para ser observado e palpado.
O exame físico é a aplicação clínica da anatomia de superfície. A palpação é uma técnica clínica associada à observação e à ausculta para examinar o corpo. A palpação dos pulsos arteriais, por exemplo, faz parte do exame físico. Estudantes das muitas áreas da saúde aprendem a usar instrumentos para facilitar o exame do corpo (como um oftalmoscópio para observar características  dos  olhos)  e  para  ouvir  a  atividade  de  partes  do  corpo  (um  estetoscópio  para  auscultar  o  coração  e  os pulmões).
O estudo regional das estruturas profundas e das anormalidades em uma pessoa viva também é possível atualmente  por meio de imagens radiológicas e seccionais e da endoscopia. As imagens radiológicas e seccionais (anatomia radiológica) oferecem informações  úteis sobre estruturas normais em indivíduos  vivos, mostrando o efeito do tônus muscular,  líquidos corporais e pressões, bem como da gravidade, que o exame cadavérico não proporciona. As técnicas de imagem mostram os efeitos do trauma, das doenças e do envelhecimento  sobre as estruturas normais. Neste livro, muitas imagens radiológicas e seccionais são integradas aos capítulos, quando conveniente. As seções de imagem ao fim de cada capítulo apresentam uma introdução às técnicas de imagem radiológica e seccional, além de incluírem uma série de imagens seccionais pertinentes ao capítulo.  As técnicas endoscópicas  (que usam um dispositivo  de fibra óptica flexível,  introduzido  no corpo para examinar estruturas internas, como o interior do estômago) também mostram a anatomia  do indivíduo vivo. A melhor técnica inicial para alcançar o aprendizado detalhado e completo da anatomia  tridimensional das estruturas profundas e suas relações é a dissecção.  Na prática  clínica,  a anatomia  de superfície,  as imagens radiológicas  e seccionais,  a endoscopia  e a experiência obtida com o estudo da anatomia são associadas para propiciar o conhecimento da anatomia do paciente.

Figura I.1 Principais partes do corpo e regiões do membro inferior. A anatomia é descrita em relação à posição anatômica ilustrada.

O computador é um recurso útil no ensino da anatomia regional, pois facilita o aprendizado por meio da interatividade e da manipulação   de  modelos   gráficos  bi  e  tridimensionais.   As  peças  anatômicas   são  cuidadosamente   preparadas   para demonstração de estruturas anatômicas e também são úteis. Entretanto, o aprendizado é mais eficiente e a fixação na memória é maior quando o estudo didático é associado à experiência da dissecção real isto é, aprender fazendo. Durante a dissecção há  observação,  palpação,  movimentação  e  revelação  sequencial  das  partes  do  corpo.  Em  1770,  o  Dr.  William  Hunter, eminente anatomista e obstetra escocês, afirmou: Apenas a dissecção nos ensina onde podemos cortar ou examinar o corpo vivo com liberdade e presteza.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
  MOORE, K.L. - ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, 6ªED, 
GUANABARA KOOGAN, 2011. 

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