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quinta-feira, 14 de abril de 2016

SISTEMA CIRCULATÓRIO

O sistema circulatório transporta líquido por todo o corpo; é formado pelo coração, pelos vasos sanguíneos e vasos linfáticos. O coração e os vasos sanguíneos formam a rede de transporte de sangue. Por intermédio desse sistema, o coração bombeia sangue ao longo da vasta rede de vasos sanguíneos do corpo. O sangue conduz nutrientes, oxigênio e resíduos que entram e saem das células.

Circuitos vasculares

O coração consiste em duas bombas musculares que, embora adjacentes, atuam em série, dividindo a circulação em dois componentes: os circuitos ou circulações pulmonar e sistêmica (Figura I.22A e B). O ventrículo direito impulsiona o sangue pobre em oxigênio que retorna da circulação sistêmica para os pulmões por meio das artérias pulmonares. O dióxido de carbono é trocado por oxigênio nos capilares pulmonares e, então, o sangue rico em oxigênio é reconduzido pelas veias pulmonares ao átrio esquerdo do coração. Esse circuito, que tem início no ventrículo direito, passa pelos pulmões e chega ao átrio esquerdo, é a circulação pulmonar. O ventrículo esquerdo impulsiona o sangue rico em oxigênio que chega ao coração, proveniente da circulação pulmonar, por meio das artérias sistêmicas (aorta e seus ramos), e há troca de oxigênio e nutrientes por dióxido de carbono no restante dos capilares do corpo. O sangue pobre em oxigênio retorna ao átrio direito através das veias sistêmicas (tributárias das veias cavas superior e inferior). Esse circuito, do ventrículo esquerdo ao átrio esquerdo, é a circulação sistêmica.

A circulação sistêmica, na verdade, consiste em muitos circuitos paralelos que servem às várias regiões e sistemas do corpo (Figura I.22C).


Vasos sanguíneos


Existem três tipos de vasos sanguíneos: artérias, veias e capilares (Figura I.23). O sangue sai do coração sob alta pressão e é distribuído para o corpo por um sistema ramificado de artérias com paredes espessas. Os vasos de distribuição final, arteríolas, levam sangue oxigenado para os capilares. Os capilares formam um leito capilar, onde ocorre troca de oxigênio, nutrientes, resíduos e outras substâncias com o líquido extracelular. O sangue do leito capilar entra em vênulas de paredes finas, semelhantes a capilares largos. As vênulas drenam para pequenas veias que se abrem em veias maiores. As veias maiores, que são as veias cavas superior e inferior, reconduzem o sangue pouco oxigenado para o coração.

A maioria dos vasos sanguíneos do sistema circulatório tem três camadas ou túnicas:

Túnica íntima, um revestimento interno formado por uma única camada de células epiteliais muito achatadas, o endotélio, sustentado por delicado tecido conjuntivo. Os capilares são formados apenas por essa túnica, e os capilares sanguíneos também têm uma membrana basal de sustentação
Túnica média, uma camada intermediária que consiste basicamente em músculo liso
Túnica externa, uma bainha ou camada externa de tecido conjuntivo.
Figura I.22 A circulação. A. Esquema ilustrativo da organização anatômica das duas bombas musculares (câmaras direitas e esquerdas do coração) que servem às circulações pulmonar e sistêmica. B. Esquema ilustrativo da circulação corporal, representando as câmaras direitas e esquerdas como duas bombas em série. As circulações pulmonar e sistêmica são, na verdade, componentes em série de um circuito contínuo. C. Um esquema mais detalhado mostra que a circulação sistêmica consiste, na verdade, em muitos circuitos paralelos que servem a vários órgãos e regiões do corpo.

A túnica média é a mais variável. Artérias, veias e vasos linfáticos são distinguidos pela espessura dessa camada em relação ao tamanho do lúmen, sua organização, e, no caso das artérias, de quantidades variáveis de fibras elásticas.

ARTÉRIAS

  As artérias são vasos sanguíneos que conduzem sangue sob pressão relativamente alta (em comparação com as veias correspondentes) do coração e distribuem-no para o corpo (Figura I.24A). O sangue atravessa artérias de calibre decrescente. A distinção dos diferentes tipos de artérias é feita com base no tamanho geral, quantidade relativa de tecido elástico ou muscular na túnica média (Figura I.23), espessura da parede em relação ao lúmen e função. O tamanho e o tipo das artérias formam um continuum — isto é, há uma mudança gradual das características morfológicas de um tipo para outro. 
 
Figura I.23 Estrutura do vaso sanguíneo. As paredes da maioria dos vasos sanguíneos têm três camadas concêntricas de tecido, denominadas túnicas. Com menos músculo, as veias têm paredes mais finas do que suas artérias acompanhantes e têm lumens mais amplos, geralmente se apresentando achatadas em cortes de tecido.

Existem três tipos de artérias:



As grandes artérias elásticas (artérias condutoras) têm muitas camadas elásticas (lâminas de fibras elásticas) em suas paredes. Inicialmente, essas grandes artérias recebem o débito cardíaco. A elasticidade permite sua expansão quando recebem o débito cardíaco dos ventrículos, minimizando a variação de pressão, e o retorno ao tamanho normal entre as contrações ventriculares, quando continuam a empurrar o sangue para as artérias médias a jusante. Isso mantém a pressão no sistema arterial entre as contrações cardíacas (no momento em que a pressão ventricular cai a zero). Em geral, isso minimiza o declínio da pressão arterial quando o coração contrai e relaxa. Exemplos de grandes artérias elásticas são a aorta, as artérias que se originam no arco da aorta (tronco braquiocefálico, artéria subclávia e artéria carótida), além do tronco e das artérias pulmonares (Figura I.24A)

As artérias musculares médias (artérias distribuidoras) têm paredes formadas principalmente por fibras musculares lisas dispostas de forma circular. Sua capacidade de reduzir seu diâmetro (vasoconstrição) controla o fluxo sanguíneo para diferentes partes do corpo, conforme exigido pela circunstância (p. ex., atividade, termorregulação). As contrações pulsáteis de suas paredes musculares (seja qual for o diâmetro do lúmen) causam a constrição temporária e rítmica dos lumens em sequência progressiva, propelindo e distribuindo o sangue para várias partes do corpo. As artérias nominadas, inclusive aquelas observadas na parede do corpo e nos membros durante a dissecção, como as artérias braquial ou femoral, são, em sua maioria, artérias musculares médias.

As pequenas artérias e arteríolas têm lumens relativamente estreitos e paredes musculares espessas. O grau de enchimento dos leitos capilares e o nível da pressão arterial no sistema vascular são controlados principalmente pelo grau de tônus (firmeza) no músculo liso das paredes arteriolares. Se o tônus for maior que o normal, ocorre hipertensão (aumento da pressão arterial). As pequenas artérias geralmente não têm nomes nem identificação específica durante a dissecção, e as arteríolas só podem ser vistas quando ampliadas.

As anastomoses (comunicações) entre os múltiplos ramos de uma artéria oferecem vários possíveis desvios para o fluxo sanguíneo em caso de obstrução do trajeto habitual por compressão pela posição de uma articulação, doença ou ligadura cirúrgica. Quando um canal principal é ocluído, os canais opcionais menores costumam aumentar de tamanho em um período relativamente curto, proporcionando uma circulação colateral que garante o suprimento sanguíneo para estruturas distais à obstrução. Entretanto, é preciso tempo para que haja abertura adequada das vias colaterais; elas geralmente são insuficientes para compensar a oclusão ou ligadura súbita. 

Há áreas, porém, em que a circulação colateral inexiste ou é inadequada para substituir o canal principal. As artérias que não se anastomosam com as artérias adjacentes são artérias terminais verdadeiras (anatômicas). A oclusão de uma artéria terminal interrompe o suprimento sanguíneo para a estrutura ou segmento do órgão que irriga. As artérias terminais verdadeiras suprem a retina, por exemplo, onde a oclusão resulta em cegueira. Embora não sejam artérias terminais verdadeiras, artérias terminais funcionais (artérias com anastomoses insuficientes) irrigam segmentos do encéfalo, fígado, rins, baço e intestinos; também podem ser encontradas no coração.
Figura I.24 Parte sistêmica do sistema circulatório. As artérias e veias mostradas transportam sangue rico em oxinio do coração para os leitos capilares sistêmicos e reconduzem o sangue pobre em oxinio dos leitos capilares para o coração, respectivamente, formando a circulação sistêmica. Embora comumente sejam representadas e consideradas como um único vaso, conforme é mostrado aqui, as veias profundas dos membros geralmente se apresentam como pares de veias acompanhantes.



VEIAS

As veias geralmente reconduzem o sangue pobre em oxigênio dos leitos capilares para o coração, o que confere às veias uma aparência azul-escura (Figura I.24B). As grandes veias pulmonares são atípicas porque conduzem sangue rico em oxigênio dos pulmões para o coração. Em vista da menor pressão arterial no sistema venoso, as paredes (especificamente, a túnica média) das veias são mais finas que as das artérias acompanhantes (Figura I.23). Normalmente, as veias não pulsam e não ejetam nem jorram sangue quando seccionadas. Existem três tamanhos de veias: 

• As vênulas são as menores veias. As vênulas drenam os leitos capilares e se unem a vasos semelhantes para formar pequenas veias. A observação das vênulas requer ampliação. As pequenas veias são tributárias de veias maiores que se unem para formar plexos venosos, como o arco venoso dorsal do pé (Figura I.24B). As pequenas veias não recebem nome 

• As veias médias drenam plexos venosos e acompanham as artérias médias. Nos membros e em alguns outros locais onde a força da gravidade se opõe ao fluxo sanguíneo as veias médias têm válvulas venosas, válvulas passivas que permitem o fluxo sanguíneo em direção ao coração, mas não no sentido inverso (Figura I.26). Os exemplos de veias médias incluem as denominadas veias superficiais (veias cefálica e basílica dos membros superiores e as veias safenas magna e parva dos membros inferiores) e as veias acompanhantes que recebem o mesmo nome da artéria que acompanham (Figura I.24B).

• As grandes veias são caracterizadas por largos feixes de músculo liso longitudinal e uma túnica externa bem desenvolvida. Um exemplo é a veia cava superior.

O número de veias é maior que o de artérias. Embora suas paredes sejam mais finas, seu diâmetro costuma ser maior que o diâmetro da artéria correspondente. As paredes finas proporcionam grande capacidade de expansão, e as veias se expandem quando o retorno do sangue para o coração é impedido por compressão ou por pressão interna (p. ex., após inspirar profundamente e prender a respiração; esta é a manobra de Valsalva). 
Como as artérias e veias formam um circuito, seria esperado que metade do volume sanguíneo estivesse nas artérias e metade nas veias. No entanto, em razão do maior diâmetro e à capacidade de expansão das veias, em geral apenas 20% do sangue estão nas artérias, enquanto 80% encontram-se nas veias. 
Embora, para simplificar, frequentemente sejam representadas isoladas nas ilustrações, as veias tendem a ser duplas ou múltiplas. Aquelas que acompanham as artérias profundas — veias acompanhantes— circundam-nas em uma rede com ramificações irregulares (Figura I.25). Essa organização serve como trocador de calor em contracorrente, no qual o sangue arterial morno aquece o sangue venoso mais frio em seu retorno de uma extremidade fria para o coração. As veias acompanhantes ocupam uma bainha vascular fascial relativamente rígida junto com a artéria que acompanham. Consequentemente, quando a artéria se expande durante a contração do coração, as veias são distendidas e achatadas, o que ajuda a conduzir o sangue venoso para o coração — uma bomba arteriovenosa.
Figura I.25 Veias acompanhantes. Embora a maioria das veias do tronco ocorra como grandes vasos isolados, as veias nos membros apresentam-se como dois ou mais vasos menores que acompanham uma artéria em uma bainha vascular comum.

As veias sistêmicas são mais variáveis do que as artérias, e as anastomoses venosas — comunicações naturais, diretas ou indiretas, entre duas veias — são mais frequentes. A expansão externa dos ventres dos músculos esqueléticos que se contraem nos membros, limitada pela fáscia muscular, comprime as veias, “ordenhando” o sangue para cima em direção ao coração; outro tipo (musculovenoso) de bomba venosa (Figura I.26). As válvulas venosas interrompem as colunas de sangue, aliviando, assim, a pressão nas partes mais baixas e só permitindo que o sangue venoso flua em direção ao coração. A congestão venosa que ocorre nos pés quentes e cansados ao fim de um dia de trabalho é aliviada repousando-se os pés sobre um banco mais alto que o tronco (do corpo). Essa posição dos pés também ajuda no retorno venoso do sangue para o coração.


CAPILARES SANGUÍNEOS


Para beneficiar as células que formam os tecidos do corpo, o oxigênio e os nutrientes conduzidos pelas artérias precisam sair dos vasos transportadores e passar para o espaço extravascular entre as células, o espaço extracelular (intercelular) no qual vivem as células. Os capilares são tubos endoteliais simples que unem os lados arterial e venoso da circulação e permitem a troca de materiais com o líquido extracelular (LEC) ou intersticial. Os capilares geralmente são organizados em leitos capilares, redes que unem as arteríolas e as vênulas (Figura I.23). O sangue entra nos leitos capilares por meio das arteríolas que controlam o fluxo e é drenado pelas vênulas.

Figura I.26 Bomba musculovenosa. As contrações musculares nos membros associam-se às válvulas venosas para deslocar o sangue em direção ao coração. A expansão externa dos ventres dos músculos que se contraem é limitada pela fáscia muscular e se torna uma força compressiva que impulsiona o sangue contra a gravidade.

À medida que a pressão hidrostática nas arteríolas força a entrada e a passagem do sangue no leito capilar, também força a saída de líquido contendo oxigênio, nutrientes e outros materiais do sangue na extremidade arterial do leito capilar (a montante) para os espaços extracelulares, permitindo a troca com células do tecido adjacente. As paredes capilares, porém, são relativamente impermeáveis às proteínas plasmáticas. A jusante, na extremidade venosa do leito, a maior parte desse LEC— agora contendo resíduos e dióxido de carbono — é reabsorvida pelo sangue graças à pressão osmótica gerada pela maior concentração de proteínas no capilar. (Apesar de já estar bem estabelecido, esse princípio é denominado hipótese de Starling.)

Em algumas áreas, como nos dedos das mãos, há conexões diretas entre as pequenas arteríolas e vênulas proximais aos leitos capilares que irrigam e drenam. Os locais dessas comunicações — anastomoses arteriolovenulares (arteriovenosas) (AAV) — permitem que o sangue passe diretamente do lado arterial para o lado venoso da circulação sem atravessar os capilares. A pele tem muitos shunts AV, que são importantes na conservação do calor corporal.


Em algumas situações, o sangue atravessa dois leitos capilares antes de voltar ao coração; um sistema venoso que une dois leitos capilares constitui um sistema venoso porta. O sistema venoso no qual o sangue rico em nutrientes passa dos leitos capilares do sistema digestório para os leitos capilares ou sinusoides do fígado — o sistema porta do fígado — é o principal exemplo (Figura I.22C).

SISTEMA CIRCULATÓRIO 

Arteriosclerose | Isquemia e infarto
A doença arterial adquirida mais comum — e um achado comum na dissecção de cadáveres — em países desenvolvidos é a arteriosclerose um grupo de doenças caracterizadas por espessamento e perda da elasticidade das paredes arteriais. Uma forma comum, a aterosclerose, está associada ao acúmulo de gordura (principalmente colesterol) nas paredes arteriais. Há formação de um depósito de cálcio na placa ateromatosa (ateroma) — áreas ou elevações amarelas, endurecidas, bem demarcadas na superfície da túnica íntima das artérias (Figura BI.8A ). O estreitamento arterial e a irregularidade superficial que se seguem podem resultar em trombose (formação de um coágulo intravascular local ou trombo), que pode ocluir a artéria ou ser levado para a corrente sanguínea e obstruir vasos menores distais na forma de êmbolo (Figura BI.8B). A s consequências da aterosclerose incluem isquemia (redução do suprimento sanguíneo para um órgão ou região) e infarto (necrose de uma área de tecido ou um órgão, decorrente da diminuição do suprimento sanguíneo). Essas consequências são ainda mais importantes em relação ao coração (cardiopatia isquêmica e infarto do miocárdio), encéfalo (acidente vascular cerebral) e partes distais dos membros (gangrena). 


                   Figura BI.8


Varizes

Quando perdem a elasticidade, as paredes das veias se tornam fracas. Uma veia enfraquecida dilata sob a pressão da sustentação de uma coluna de sangue contra a gravidade. Isso resulta no surgimento de varizes — veias anormalmente distorcidas e dilatadas — observadas com maior frequência nas pernas (Figura BI.9). A s veias varicosas têm um calibre maior que o normal, e as válvulas venosas são incompetentes ou foram destruídas por inflamação. A ssim, a coluna de sangue que ascende em direção ao coração é contínua, aumentando a pressão sobre as paredes enfraquecidas e agravando o problema de varicosidade. A s varizes também ocorrem em caso de degeneração da fáscia muscular. A fáscia incompetente não é capaz de conter a expansão dos músculos que se contraem; assim, a bomba musculovenosa (musculofascial) não é efetiva.



Figura BI.9



Pontos-chave

SISTEMA CIRCULATÓRIO

O sistema circulatório é formado pelo coração e pelos vasos sanguíneos — artérias, veias e capilares. ♦ A s artérias e veias (e os vasos linfáticos) têm três camadas ou túnicas — túnica íntima, túnica média e túnica externa. ♦ A s artérias têm fibras elásticas e musculares em suas paredes, que permitem a propulsão do sangue em todo o sistema circulatório. ♦ A s veias têm paredes mais finas do que as artérias e são distinguidas por válvulas que impedem o refluxo de sangue. ♦ Os capilares, como simples tubos endoteliais, são os menores vasos sanguíneos e fazem a ligação entre as menores artérias (arteríolas) e veias (vênulas).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
  MOORE, K.L. - ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA, 6ªED, 
GUANABARA KOOGAN, 2011.